Saímos de Los Andes cedinho, em direção à Cordilheira.
O tempo estava perfeito, com muito sol, e após enfrentar alguma dificuldade para encontrar a saída da cidade, caímos na estrada e fomos suspirando de prazer desde o imenso vale repleto de vinhas, até as fraldas do Aconcágua, já no lado Argentino.
Isso sim, é uma scenic drive, como chamam os americanos.
As montanhas exibem um verdadeiro festival de cores, destacando-se aquelas cujos cumes estão eternamente nevados. Fantásticos os diferentes tons em degradê, que vão do bege claro ao cinza escuro. É prova de que o ser humano não tem o monopólio da arte e da beleza. Será que um dia realizará a proeza de superar a Natureza também nesses quesitos?
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Como seria de se esperar, a estrada que leva ao passo fronteiriço é extremamente sinuosa, com subida muito íngreme. Não é a toa que é chamada de “Los Caracoles”: um longo serpentear serra acima.
O visual para o vale a partir do alto da Cordilheira é deslumbrante, e não há turista que resista a parar várias vezes nos inúmeros pontos panorâmicos, para tirar fotos ou simplesmente apreciar a deliciosa paisagem.
Esse trecho é particularmente fascinante, com vistas surpreendentes e muitas, mas muitas curvas.
Impressiona também a quantidade de caminhões pesados – a maioria deles argentinos, que fazem o transporte de carga ali na região.
Passamos a fronteira e seguimos em direção a Mendoza, “la Ville du Vin” como diriam os franceses em aclamação à imensa quantidade de vinhos de altíssima qualidade encontrados na região.
No caminho para Mendoza, demos uma paradinha em Duspatalat para abastecer My Lady, e também os nossos estômagos. A cidadezinha é muito charmosa, com trilhas para treeking, bons hotéis e churrascarias, denominadas “parrillas”. Deu vontade de ficar um dia lá.
Mendoza mudou muito nos dez anos que se seguiram à nossa primeira visita. Adquiriu ares sofisticados, mas perdeu um pouco do charme que tinha antes de se tornar tão grande e famosa.
Agraciada com generosos parques, ótimos restaurantes, e boa rede hoteleira, Mendoza é o tipo da cidade que não pode passar batida na agenda de ninguém.
Incrível a exuberância das árvores nos passeios (a maioria deles com canaletas feitas com pedras, para vazão à água da chuva), plantadas para amenizar os efeitos da terrível poluição, agravada pela situação geográfica da cidade, que favorece a concentração de CO2.
Creio que entre uma e outra árvore, a distância média é de 5 metros, conferindo ares europeus às avenidas, praças e boulevards.
Só não fomos fazer uma degustação em uma das inúmeras cavas porque já estávamos tomando vinho diariamente desde a saída de SP, há mais de 30 dias.
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Divertimo-nos muito nos três dias que ficamos em Mendoza, e de lá partimos em direção a Quatro Rios, ao sul de Córdoba, seguindo o caminho de volta que nos pareceu ser mais curto.
Rio Quarto é muito feia, com arquitetura desinteressante, muito congestionamento, e comércio intenso.
Ficamos hospedados no Howard Johnson ao lado do cassino, verdadeiro George V da região, com tarifa mais razoável do que a dos outros hotéis da cidade (US$ 100.00 a diária com café da manhã, sauna, piscina, spa e um quarto muito confortável), e o melhor : sem aquele cheiro de mata-baratas característico dos auto-proclamados quatro estrelas argentinos.
De lá seguimos para Santa Fé, mais simpática do que Rio Quarto, mas nada que nos chamasse a atenção, e descansamos um pouco da longa e intensa jornada no Holliday Inn local, que nos pareceu ser a melhor opção. Estávamos fazendo de 500 a 600 km por dia, e mesmo repartindo a direção em alguns trechos, essas 6 horas de viagem por dia são exaustivas.
De Santa Fé seguimos para Corrientes, a oeste da cidade de Paraná, do outro lado do rio que leva o mesmo nome.
Corrientes é uma cidade muito gostosa, com restaurantes muito agradáveis à beira-rio. A pedida em toda a região é o surubim, que a Márcia comeu bastante, sem mostrar contudo grande entusiasmo.
A vista do por-do-sol refletido nas águas do Rio Paraná, sob a linda ponte, foi uma das cenas mais marcantes da viagem, fazendo inveja aos melhores postais. O passeio à margem do rio é a grande pedida na cidade, favorecida pelo imenso calçadão.
Fiquei encantado com a hospitalidade do povo, com o clima quente e úmido e com a floresta da região.
Do outro lado da ponte fica o território de Missiones, e a partir daí percebe-se forte influência paraguaia, a exemplo dos tocadores de guarânias, o uso freqüente do tererê (chimarrão tomado gelado, em cuia pequena). Espero poder um dia revisitar com mais calma, e desfrutar das inúmeras atrações.
Saímos de Corrientes rumo a Posadas, a 500 kms, onde faríamos uma parada estratégica para, no dia seguinte, seguir até Foz do Iguaçu.
Chegamos lá por volta das 4 da tarde, demos uma volta pela cidade, não encontramos atrativo algum, e decidimos seguir para Foz, a 250 kms de lá.
Já passava das 8 quando chegamos a Porto Iguaçu, a cidade do lado argentino que faz fronteira com Foz, exaustos, após 8 horas de estrada.
Na próxima nós falamos do último (mas não menos interessante) trecho da viagem.
Bye! Vinicius e Marcia |
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