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Fome de Aventura
Dessa vez não houve festa, nem adereços no carro, nem maiores badalações.
Saímos de fininho para comemorar os dez anos da viagem ao Alasca, em um carro discreto, sem alarde e sem barulho.
Nossa proposta foi completar o tour pelo continente americano, fazendo um dos trechos que não pudemos percorrer em 1998 por uma simples razão : se fôssemos à Patagônia, seria impossível chegar ao Alasca durante o verão. E Alasca sem verão significa frio, escuridão e a mais completa desolação.
Já havíamos viajado à Patagônia em 2005, mas em um cruzeiro de verão. Pouco ou nada vimos, pois as paradas na região foram poucas (Malvinas, Ushuaia e Punta Arenas), e brevíssimas.
Na verdade, estávamos sentindo muita fome de aventura após tanto tempo longe da estrada.
Negociei uma licença de 15 dias, que somados aos 30 dias de férias nos permitiriam fazer uma jornada decente, parando nos lugares mais aprazíveis, e com alguma sobra de tempo para ler, relaxar, pescar e meditar. 
Poucas coisas na vida são tão certas quanto a sábia frase de Fernando Pessoa, inspirada na gloriosa saga dos navegadores portugueses : “Navegar é preciso, viver não é preciso...”
A vida é isso mesmo. É uma estrada às vezes longa, às vezes curta, às vezes reta, às vezes curva, ascendente ou descendente, pouco importa. Há dias de sol, há dias de chuva, há trechos muito bons e bonitos, outros nem tanto. Deve, no entanto, ser vivida com toda a intensidade, paixão e gosto, pois viver por viver, assim por mero instinto, não é da natureza humana.
É, o mundo está aí à nossa frente, e como diria Raul Seixas, com a boca escancarada de dentes, sempre esperando para nos surpreender.
E surpresa é o que não faltará na nossa jornada ao Sul.
Convenhamos que após dez anos, já estamos mais maduros, mais exigentes e - porque não? – mais acostumados com um mínimo de conforto.
Fizemos poucos planos. Sabemos apenas que queremos ir até o extremo sul pela Argentina e voltar ao Brasil pelo Chile. Como sempre, procuraremos desbravar tudo o que de interessante apareça à nossa frente, evitando as grandes metrópoles e os lugares comuns.
Queremos conhecer outras culturas, outras comidas, outros cheiros e outras músicas, ali e acolá.
Estamos certos de que de tédio, não morreremos jamais.
Que o nosso diário de bordo sirva para estimular aqueles que nunca pensaram em fazer algo de diferente na vida, e que sirva como bom guia àqueles que sempre pensaram em cair na estrada.
Parafraseando os Novos Baianos, caia na estrada e perigas ver.       
Nós veremos. E como veremos!

 

Vinicius e Marcia